ANÁLISE “HERTZBEGERIANA” DO MEU LAR
O objeto de estudo deste trabalho é a minha casa, ou meu ninho seguro; "um espaço conhecido à nossa volta, onde sabemos que nossas coisas estão seguras e onde podemos nos concentrar sem sermos perturbados pelos outros", explica Herman Hertzberger (1999 p. 28) em sua obra "Lições de Arquitetura", base para a seguinte análise.
O QUARTO
A CASA
De maneira geral, meu quarto é a parte tomada em um conjunto que determina um todo, minha casa. Essa, não sendo fruto do planejamento de um arquiteto, não segue necessariamente as diretrizes do que esse profissional pensa que as pessoas querem, apesar de não escapar também de padrões coletivos de representação da arquitetura. A identidade da moradia em si e de suas partes já são pré-determinadas, não abrindo espaço para assumir a identidade pelo uso. A cozinha tem seu uso determinado a partir do momento em que se é instalado mobiliários fixos como bancadas e pia, algo semelhante acontece com o banheiro. Bem como a questão de todos os espaços da casa não possuírem um tamanho confortável para abrigar outras interpretações. Sendo assim, o espaço carece de elementos que provoquem diferentes associações além das que são pré-determinadas. Entretanto, possui partes livres onde se tem maior abertura para usá-las de acordo com os gostos e necessidade do morador.
Sendo o exterior da minha casa um ambiente público e existindo entre esse ambiente e meu quarto um corredor aberto, pode-se dizer que esse corredor atua como o "intervalo". Esse espaço é o diálogo entre essas duas áreas de ordens diferentes, esse, juntamente com minha janela, constitui uma passagem e permite o diálogo entre meu quarto, ambiente mais que privado, com o meio externo. Sua função inicial era de apenas realizar a conexão entre a entrada da casa e a porta "dos fundos", no entanto, por ser um espaço aberto, esse corredor serve como esse meio intermediário entre o externo e interno, e ainda abre espaço para outras adaptações - pode ser fechado completamente, servindo como a extensão para a maioria dos cômodos da casa, se dividi-lo em algumas partes poderia ser uma varanda para cada quarto, poderia prolongá-lo para frente, alinhando com a escada para o terraço, permitindo um espaço maior semelhante a uma grande área, no caso das duas primeiras estratégias a única porta de ligação com a casa seria a frontal. O terraço também abre espaço para diferentes interpretações devido ao seu espaço e ligação com a casa por uma parte um pouco mais privada, sendo possível de se tornar até um novo quarto. A garagem também poderia se transformar em um novo quarto, ou até uma varanda que conecta com a rua. Assim como o exemplo das Moradias Diagoon citado por Hertzberger (p. 161), os espaços mencionados possuem grandes diversidades de soluções.
O tamanho aqui dita para que serve determinado espaço, então em questão de uso, apesar de possuir cômodos pequenos eles cumprem - ou ditam - de forma satisfatórias suas funções principais. O espaço é consideravelmente articulado, o que divide a casa em espaços de tamanho restrito para que um pequeno grupo de pessoas possam utilizá-los, mas não por opção. Nesse prisma, são pequenos suficiente para que possam ser usados porém não necessariamente grande o suficiente para que ofereça o máximo de uso potencial.
Pode-se dizer que, graças à sua limitação do espaço, essa casa possui a "capacidade de lugar" tratada por Hertzberger já que o espaço disponível é usado da forma mais eficiente possível, para que não haja mais espaço de circulação do que o estritamente necessário, apesar de que poderiam haver caminhos mais inteligentes, esteticamente mais agradáveis e funcionais para se chegar a essa capacidade de lugar.
Casas no geral aparentam serem capazes de absorver e comunicar seus significados, por estarem em contato diário com o usuário e, mesmo que não de maneira estrutural (o que realmente não é a intenção) ou em seu layout, está em constante mudança, por abrigar indivíduos em constante mudança, se apropriam um do outro, evoluindo mutuamente.






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